SNT-TC-1A: O que é e como se aplica esse documento?

Em resposta aos questionamentos dos associados da Abendi sobre a “prática recomendada SNT-TC-1A”, esclarecemos as dúvidas apresentadas sobre a utilização correta desse documento a todos os interessados, tais como aplicação, limitações, validade, entre outras.

O primeiro aspecto a esclarecer é que o documento é uma prática Americana, com objetivo de recomendar, aos fabricantes, montadoras e demais fornecedores, uma sistemática para administração dos ENDs nas instalações, plantas e unidades fabris, aplicada nos seus equipamentos em fabricação ou durante as suas instalações e montagens.

O documento apresenta um modelo de certificação de pessoal em END de 1ª parte, ou seja, um modelo de auto-certificação, denominado nos EUA como “employer based certification” ou   “in house certification.’’  Todos os requisitos e parâmetros de certificação são estabelecidos e aplicados pela própria empresa. Como cada empresa estabelece sua própria sistemática de certificação, essa descentralização contribui para uma falta de padronização, inerente à certificação de 1ª parte, o que acaba gerando níveis de qualidade de inspeções diferentes, ou seja, resultados variados e dependentes do grau de dificuldade de certificação entre os sistemas estabelecidos pelas empresas.

Nesse modelo, a certificação pertence à fabricante ou montadora, ou seja, o profissional, ao se desligar da empresa, perde a certificação, que é válida somente enquanto ele estiver inspecionando os produtos, equipamentos e montagens daquela unidade. A certificação é interna e específica para os produtos de uma determinada empresa. Vale ressaltar que algumas empresas possuem Selo ASME, sistemas de certificação que são constantemente avaliados pelo “inspetor autorizado.” Isso acaba induzindo certo grau de padronização às certificações, mas são exceções no Brasil.

De qualquer forma, é importante informar que o próprio ASME, um dos grandes promotores dessa certificação, já vem indicando movimentações no sentido da certificação de 3ª Parte, a fim de se tornar independente e centralizado.

E alguns volumes e parágrafos do código ASME, existe a citação a modelos centralizados de certificação.  O ASME apresenta, desde 2015, modelo próprio de certificação de 3ªparte:  ASME ANDE-1 2015. Esta é uma tendência mundial, conforme se observa nos modelos atuais de avaliação de conformidade, a certificação de 3ª parte é aplicada na certificação de sistemas de gestão, produtos e pessoas, com excelentes resultados e aceitação internacional. É interessante, também, frisar a possibilidade da utilização dessa prática em conjunto com a Norma ISO 9712,  como base na elaboração das normas e procedimentos internos para gestão sistêmica dos END, pelos empregadores e contratantes, sempre com o suporte do profissional N3, antes de iniciar os trabalhos de END.

Nesse caso o profissional N3 deve avaliar se todas as condições e requisitos para execução dos ENDs estão de acordo com o especificado no projeto, norma, especificação, legislação, regulamentos, NRs  etc. e,  na ausência dessas  definições, auxiliar o contratante, nesse quesito.  Nessa avaliação, o profissional N3, verifica a necessidade, ou não, de treinamentos e qualificações internas, específicas a um determinado produto ou aplicação de END e suplementares à certificação ISO 9712, na qual os profissionais já devem estar certificados, antes de emitir  a “autorização de trabalho”, item 3.21 da 9712.